RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que o governo vai lançar “nos próximos dias” um programa nacional de habitação que prevê a construção de 500 mil casas populares. Lula ressaltou que o programa vai estimular a economia, gerando mais empregos em meio à crise financeira mundial.
“Precisamos gerar empregos. Nessa crise, vamos dizer para os países ricos, que até ontem diziam o que deveríamos fazer, para eles fazerem o que nós estamos fazendo”, disse Lula durante evento de inauguração de uma escola que faz parte das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em Manguinhos (zona norte do Rio).
Um dos setores mais atingidos no Brasil pela crise internacional, a construção civil deve ser foco de novas medidas do governo nesta semana. O pacote habitacional para tentar evitar uma queda brusca no crescimento poderá elevar o teto do valor dos imóveis a serem financiados pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos atuais R$ 350 mil para cerca de R$ 500 mil.
A equipe econômica está dividida entre a necessidade de estimular a construção civil com medidas voltadas às classes média e alta ou focar os segmentos de renda mais baixa, mas o aumento deverá ocorrer. O setor ainda pede que o governo permita que o FGTS possa ser usado para o pagamento das parcelas mensais do financiamento imobiliário.
O presidente Lula também afirmou que o governo está fazendo um levantamento dos prédios públicos da União que estão desocupados para que sejam usados no combate à falta de moradia no país. Atualmente, o déficit habitacional brasileiro é de cerca de 7,2 milhões de residências. “Estamos fazendo um levantamento e vamos pegar esses prédios que já estão prontos. Se eles estiverem em condições para serem habitados, vamos colocar o povo para morar lá dentro”, disse, ao discursar em Manguinhos, subúrbio do Rio de Janeiro. Segundo ele, é preciso evitar que ocupações continuem ocorrendo de forma desordenada. Lula disse que um dos imóveis identificados pelo levantamento fica na Avenida 9 de Julho, em São Paulo. Fonte: FOLHAPRESS
