
Será a 21ª cirurgia em 36 anos. No fim do mês, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), 55 anos, enfrentará mais uma vez o bisturi para a retirada de um aneurisma cerebral, em um hospital de São Paulo. Ela espera retornar ao trabalho em 30 dias. Em sua carreira, a convivência com problemas de saúde tornou-se parte da rotina. “Sempre enfrentei a doença e a política”, diz. Tão logo a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, divulgou que irá se submeter ao tratamento de câncer, Roseana teve uma longa conversa com ela. “Dei força. Disse que enfrentasse com determinação.” Na avaliação da governadora, o problema de saúde não será obstáculo para o projeto político da ministra. “Tive vários problemas, um deles, inclusive, na época da eleição de 1998. Problema de saúde não prejudica candidatura. Acredito que o povo brasileiro está muito amadurecido em relação a isso.” Segundo a filha de um dos mais importantes nomes do PMDB, Dilma é uma pré-candidata à Presidência da República e o mais importante é ela se viabilizar, ou seja, costurar as alianças políticas.
ISTOÉ - Está preparada para a cirurgia? Quando a sra. se licencia?Roseana - É sempre um desafio. Vou enfrentar novamente. Já fiz 20 cirurgias, mas nunca desanimei. Não me considero uma pessoa doente nem fraca. Pelo contrário. Por conta desses desafios me considero até muito forte. Agora, vou operar do aneurisma. Devo sair entre os dias 20 e 30 de maio para fazer a cirurgia em São Paulo e minha ideia é voltar em 30 dias.
ISTOÉ - A sra. chegou a falar com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre a doença dela? Que conselhos a sra. deu para ela?Roseana - Dei força. Disse que ela enfrentasse com determinação. Depende de cada pessoa, mas a ministra Dilma é uma pessoa forte. Tenho rezado por ela e tenho certeza de que ela vai superar esse problema.
ISTOÉ - A sra., em algum momento, pensou em abandonar a política por causa dos seus problemas de saúde? Roseana - Nenhuma vez. Sempre enfrentei a doença e a política. Tive vários problemas, um deles, inclusive, na época da eleição de 1998. Passei quase 60 dias no hospital e nesse período fiz quatro cirurgias de pulmão, intestino e mama. Fiz ainda uma histerectomia completa (uma operação cirúrgica da área ginecológica que consiste na retirada do útero, ovário e das trompas). Quase morri nessa época. Mas voltei para fazer minha campanha. Mesmo com algumas restrições, voltei, fiz a campanha e ganhei no primeiro turno com 66% dos votos.
ISTOÉ - A sra. conhece o tratamento ao qual a ministra Dilma vai ser submetida? Roseana - Nunca fiz uma sessão de quimioterapia. Passei por tratamentos diferentes e até tomei remédio quimioterápico. Mas tenho amigos que passaram pelo mesmo problema da ministra e acho que dá para enfrentar. Depende muito da cabeça de cada um. O negócio é a ministra não se entregar. Tem que ter determinação para superar. Você combate a doença de três maneiras: com os médicos, os remédios e com você mesma. Fora a fé. Tenho muita fé em Deus e entrego tudo nas mãos dele.
ISTOÉ - A sra. acha que a candidatura de Dilma à Presidência da República pode ser prejudicada pela doença? Roseana - Problema de saúde não prejudica candidatura. Acredito que o povo brasileiro está muito amadurecido em relação a isso e que a doença não vai prejudicar a ministra Dilma. É uma pré-candidatura. O importante é ela se viabilizar. Ela vai tentar costurar os acordos e tem o apoio do presidente Lula. Ficarei feliz se tivermos uma mulher candidata à Presidência da República.
ISTOÉ - Ainda há preconceito? Roseana - Não há preconceito por problemas de saúde. Podem tentar explorar politicamente, mas isso ninguém sabe ainda. Por Sérgio Pardellas (ISTOÉ)
