sábado, 2 de maio de 2009

Sarney cobra atenção nacional aos desabrigados no MA.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB), fez ontem pronunciamento na tribuna da Casa se solidarizando com as vítimas das enchentes no Maranhão. Ele lamentou que o drama sofrido pelos maranhenses não tenha a mesma repercussão e solidariedade registrada no país como quando fato parecido ocorre no Sul e Sudeste. “Quero expressar minha solidariedade ao povo do Maranhão no momento que tantas dificuldades ele está sofrendo. Realmente, nós do Nordeste temos certo complexo, porque, quando as coisas ocorrem no Sul, têm uma dimensão muito maior. Quando ocorrem no Nordeste têm menor repercussão nacional”, disse.
Segundo ele, o estado atravessa uma “calamidade de grandes dimensões” porque as principais rodovias estão cortadas. “Estamos com a principal estrada, de São Luís a Teresina, cortada. Não estamos recebendo os caminhões que vêm do Sul com abastecimento para o estado, nem os estamos levando de São Luís para o interior, porque essa estrada está cortada. Não somente ela, mas várias como a Maranhão-Pará”, relatou.
O presidente do Senado explicou aos senadores que como o Maranhão é uma grande planície – e os rios têm curso indeciso – facilita o surgimento de enchentes porque cada curva funciona como uma barragem na descida das águas, fazendo os rios saírem dos leitos e ocuparem vastas regiões. “Temos mais de 30 cidades, nas margens desses rios, inundadas. Tenho visto contagem de 60 mil pessoas desabrigadas, mas ninguém sabe contar quantas porque há muitos vilarejos profundamente atingidos”, lamentou.
Barragem
Sarney disse ainda que por descuido dos últimos governantes maranhenses a Barragem do Flores, construída quando de sua passagem pela Presidência da República (1985-1989), está com suas comportas comprometidas, deixando de funcionar como regulador de águas em municípios do Médio Mearim. E alertou para o risco de elas virem a romper provocando uma “catástrofe sem proporções”. “Já falei com o presidente da República e com o ministro do Exército para que eles colocassem imediatamente o Batalhão de Engenharia no sentido de se fazer uma travessia desses rios de maneira emergencial. Falei também com o ministro do Interior e a Defesa Civil Nacional. Mas sinto que ainda não se teve uma certa consciência nacional do que se está acontecendo naquela região”, declarou o senador.
Ele destacou o fato de as áreas atingidas serem pobres e sem recursos humanos e materiais para aliviar os danos das famílias: “Aproveito este momento, no Senado Federal, para pedir o apoio não somente do governo, mas que ele multiplique esse apoio. E também a opinião pública nacional para que outros estados façam como têm feito nos outros casos de calamidade: um movimento de solidariedade porque, na realidade, estamos sentindo um pouco de falta dessa solidariedade que tem sido encontrada em outros momentos, em outros estados do Brasil”.
O senador Expedido Júnior (PR-RO) fez um aparte garantindo fazer gestões no sentido de ajudar os maranhenses. “É uma reivindicação justa com o povo do Maranhão, que tem contribuído muito para o desenvolvimento do país. Conte com o verdadeiro apoio, com nossa dedicação”, assinalou.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) endossou as críticas de Sarney quando afirmou que sendo a tragédia no Norte ou Nordeste a repercussão e o apoio da opinião pública nacional são sempre menores. “No Nordeste e Norte, quando existe uma calamidade, se não for o esforço individual de suas lideranças para chamar a atenção do país sobre o que está acontecendo, dificilmente há uma comoção nacional em torno do assunto. Infelizmente, essa é a realidade. É uma realidade proveniente talvez de não termos uma grande imprensa, repercussão nacional, em função do nosso estado econômico”, discursou.

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