domingo, 30 de agosto de 2009
Políticos com mandato têm 30 dias para buscar novo rumo partidário
Os detentores de mandato eletivo que pretendem disputar as eleições de 2010 têm, a partir de amanhã, exatos 30 dias para decidir o futuro partidário. O desafio é trocar de partido sem perder o mandato por infidelidade. Para isso, vale negociar com a atual legenda ou mesmo entrar diretamente com ações na Justiça Eleitoral para evitar punição.
As mudanças devem ocorrer mesmo somente na seara das eleições proporcionais. Dois deputados federais estudam trocar de partido - Ribamar Alves (PSB) e Davi Alves Silva Júnior (PDT). A lista é maior entre os estaduais. Quase 1/3 da Assembléia Legislativa já manifestou o desejo de buscar nova legenda.
Uma das opções é pedir autorização da Justiça Eleitoral para trocar de partido, alegando, por exemplo, perseguição política. Foi o caminho escolhido por Davi Alves Júnior e pelo deputado estadual Marcos Caldas (PTdoB).
Davi Júnior alegou sofrer perseguição por parte da direção pedetista. Ele chegou a deixar o partido em 2007, mas, ameaçado pela Lei da Fidelidade Partidária, optou por voltar. Mesmo assim, nunca se deu bem com a cúpula do PDT. Seu novo pedido de desfiliação tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Marcos Caldas ingressou com ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Para ele, falta reconhecimento do PTdoB ao seu mandato. Um dos argumentos: "Sou o único deputado do PTdoB e não participo do comando do partido". Os dois parlamentares esperam que a Justiça Eleitoral julgue os processos antes do fim do prazo de filiação, para ganhar tempo na escolha do novo partido.
Sem crise com a direção partidária, outros parlamentares optaram pela negociação direta com suas legendas para trocar de partido. É o caso dos tucanos Arnaldo Melo, Alberto Franco, Rigo Teles, Stênio Rezende e Cleide Coutinho. Mas há um problema: o PSDB exigiu que eles deixem a legenda até amanhã. O partido quer um prazo de 30 dias para atrair filiados, que temiam concorrência com os parlamentares.
Também pretendem conversar com a direção do partido os deputados Antonio Bacelar e Pavão Filho (ambos do PDT). E eles têm um argumento poderoso: o PDT deu autorização para os históricos Luiz Pedro e Rubem Brito deixarem a legenda sem incômodo. Se eles podem, por que os demais não?
Os deputados do DEM foram a Brasília este mês negociar com a direção nacional da legenda. Eles receberam autorização para se coligar com quem quiserem no Maranhão, independente da aliança nacional DEM/PSDB. Mesmo assim, alguns parlamentares, como Max Barros e César Pires, hoje no secretariado de Roseana Sarney (PMDB), ainda podem trocar de partido em busca de mais segurança.
A situação mais complicada é a de Rubens Pereira Júnior. Ele já se posicionou na oposição ao governo Roseana, mas seu partido, o PRTB, faz parte do governo. O parlamentar e a direção da legenda estão em crise, mas nenhum dos dois toma uma decisão. E o tempo do troca-troca está se esgotando. Fonte: O Estado
